©2018 by humanitics. Proudly created with Wix.com

EU SÓ PRECISAVA DESACELERAR

December 13, 2018

"360 km, 360 km, pare um pouquinho, descanse um pouquinho, 360 km"...

 

Há alguns meses atrás eu tirei o dia para desacelerar. Meu filho resolveu que queria ir para o parque e eu tive a brilhante ideia de fazer um pic-nic ao ar livre. Na noite anterior quase me arrependi de tudo, queria aproveitar a “pausa” para dormir um pouco mais. Mas, “desisti de desistir”, acordei cedo, organizei a cesta de café da manhã e fui para essa empreitada, na companhia de 3 crianças, em um dia de muito frio.

 

Já no parque, sentada na toalha com nosso pic-nic montado, me dei conta da beleza que era simplesmente por estar ali, naquele ambiente, naquele café da manhã diferente, com meus meninos queridos, com aquela comidinha simples e gostosa, com o vento frio no rosto, sem pressa... E a partir daquele momento o restante do meu dia foi alterado para o modo slow, para a calma e gratidão de uma simples manhã no parque, com uma promessa pessoal de repetir a dose com mais frequência.

 

Eis que na última semana fui presenteada novamente com outro momento de desaceleração inesperada. Mesmo com uma agenda cheia de compromissos, aceitei o convite de uma amiga para uma Oficina de Cartão de Natal. Nesse dia, comecei o dia cedo, rodízio do carro, pega Uber, acompanha os tios na consulta médica, pega outro Uber, trânsito infernal, compromisso do meio-dia já em atraso, amigas esperando para o almoço, cabeça começa a doer de fome, trânsito infernal recalcula a rota a todo momento. Nessa pausa obrigatória do trânsito penso: “Por que aceitei essa loucura de vários compromissos no mesmo dia?”.

 

Chego para o almoço bem atrasada, cozinha do restaurante em pane na entrega dos pratos, e entro na Oficina com 10 minutos de atraso. Somente sentada ali me dou conta que a cabeça dói. Enquanto tomo um analgésico penso novamente: “O que vim fazer aqui? Logo eu que nem sei desenhar um coração direito, como irei criar um cartão?”.

 

Sou guiada pela voz de pessoas queridas que estavam ali, e entro no fluxo das palavras, emoções e sensações. As atividades propostas me direcionam a resgatar de forma tão delicada às minhas memórias de 2018, ativando lembranças das pessoas especiais que estiveram comigo nesse ano denominado lindamente de CAOS. Ali, enquanto escrevia, começo a entender o presente valoroso dessa pausa. Porque eu ganhei não somente uma tarde para desacelerar, eu entendi o sentido da gratidão pelas pessoas que foram presentes esse ano... porque 2018 não foi um ano qualquer: ele foi o ano do meu renascimento, o ano em que entrei em ação para meu sonho, o ano em que ressignifiquei minha coragem!

 

E literalmente coloco na mão na massa para confeccionar seu próprio cartão de natal. E com tantos materiais a disposição para criar, vou encontrando e entrando no movimento da arte com as próprias mãos, do meu jeito, no meu tempo, no meu formato e na liberdade de fazer como se sabe fazer.

 

Entre recortes, colas e rabiscos, fui acalmando a mente, e meu corpo respondeu à calmaria relaxando. De tanta “brisa”, me pego sorrindo sozinha pela alegria e oportunidade de poder, em plena terça-feira a tarde, fabricar meu próprio cartão de natal. E continuo com minhas mãos sujas de cola, pintando com giz de cera livremente, cortando barbantes e tentando fazer estrelas de papel em 3D. Enquanto colo as estrelinhas de glitter no meu cartão, sorrio mais uma vez pensando: “O pau torando no mundo lá fora e eu aqui caprichando no meu cartão de natal!”.

 

E, enquanto escrevo esse relato de pausa, lembro do último conselho que recebi da minha irmã: "SÓ POR HOJE, EU VOU MANTER A CALMA. SÓ POR HOJE”.

 

Á medida que vou tentando absorver no meu dia-a-dia esse mantra, questiono:

Por que temos o hábito de só pensar em folga para resolver problemas ou por questões de saúde?

Por que não experimentamos parar um pouquinho para simplesmente tomar um fôlego, para aproveitar uma tarde ou para encontrar o equilíbrio da sanidade mental?

Por que não parar para essa respirada agora, antes de pirar o cabeção, e evitar que a pausa seja obrigatória simplesmente para tratar uma enfermidade?

POR QUE NÃO SÓ DESACELERAR?

 

 

 

 

Please reload

Our Recent Posts

January 14, 2020

Please reload

Archive

Please reload

Tags

Please reload